Os Túneis da Aflição
Os túneis da aflição são inevitáveis.No Paraná, existe um lugar muito bonito, bastante visitado por turistas: a "Serra do Mar", uma linda cadeia de montanhas que separa a cidade de Curitiba do litoral paranaense. A distância entre a capital e a costa paranaense fica em torno de 80 km, e a diferença de altitude dessas duas regiões é de 900 m. A viagem de trem nesse trecho é simplesmente encantadora. À medida que você desce a serra, você se extasia com as cachoeiras, com os multicoloridos pássaros e borboletas, respira o ar puríssimo das montanhas, desfruta da indizível vista de uma mata nativa, ainda intocada. Mas durante todo o percurso dessa viagem, para assombro de muita gente, existem vários túneis escuros, e de diferentes comprimentos, pelos quais você tem que passar. Viajando por essa estrada, é impossível chegar ao litoral sem passar por esses túneis.
Isso ilustra o que acontece conosco nos caminhos da vida. Vários são os túneis pelos quais temos que passar. Embora sejam inevitáveis, e não nos sintamos nada confortáveis ao passar por eles, Deus transforma esses momentos numa experiência incrivelmente recompensadora para nós e para aqueles que nos cercam.
Meu caro leitor, saiba que, na viagem por essa vida, nem sempre vemos, através da janela do nosso vagão, flores, pássaros, cachoeiras exuberantes, a luz do sol, visões panorâmicas. Os túneis da aflição fazem parte da nossa viagem. Eles são inevitáveis. E, se não estivermos cônscios disso, nosso sofrimento será maior.
Os túneis da aflição nos fazem reagir de maneiras diferentes.
É interessante observar como as pessoas reagem quando, de repente, entram num túnel durante uma viagem de trem. Algumas fecham os olhos, outras ficam estáticas, pálidas de medo, as crianças gritam. Como você reage quando está deprimido por algum problema?
Eu não sei a seu respeito, mas quando estou deprimido, tenho dificuldades para dormir. Tenho o hábito de ficar virando o travesseiro na cama durante boa parte da noite. Meu estômago começa a doer, não consigo me concentrar no meu trabalho, e visito a geladeira à procura de alguma coisa para comer.
A razão por que agimos assim é simples. Somos todos feitos de carne e osso. Deus nunca esquece que somos humanos. Somos nós que, às vezes, nos esquecemos. Portanto, nunca esqueçamos que Deus, até certo ponto, nos dá o direito de reagir diante dessas situações.
Os túneis da aflição podem ser fonte de bênção.
Ao passarmos pelos túneis da aflição, temos uma grande oportunidade de conhecer-nos melhor. Geralmente os túneis são escuros. Quando você repentinamente entra neles, parece que as luzes se apagam. Você não consegue enxergar nada através da janela. Tudo lá fora está na escuridão. O único lugar onde há luz é dentro do vagão, onde você viaja. Mas, embora você nada possa enxergar lá fora, uma situação interessante ocorre assim que você entra num túnel escuro. De repente, ao dirigir o seu olhar para o vidro da janela do trem, você se depara com a sua imagem refletida nele, como num grande espelho. Agora, uma das coisas que você pode visualizar é a sua própria pessoa, a sua própria imagem.
Quando isso acontecia comigo, eu aproveitava para checar se o cabelo estava em ordem, como eu parecia de perfil e, às vezes, eu ficava, por alguns momentos, fitando os meus próprios olhos, como que perscrutando o meu próprio interior. Você pode não gostar de enxergar a sua própria imagem refletida na janela do trem, mas essa é uma das poucas coisas que você pode vislumbrar quando passa por um túnel.
Os túneis da aflição têm uma saída.
Os túneis nunca são um fim em si mesmos. Eles existem para transpor obstáculos. Não existem situações difíceis o bastante para as quais Deus não possa suprir uma saída, mesmo que sua vida seja um contínuo túnel de aflição. Basta pedir a Ele que, nesta hora, o ajude a passar pelo túnel da aflição. Certamente Ele lhe proporcionará forças, paciência e fé até que você saia do túnel em que está.
Pastor José de Godoi Filho
Este artigo se encontra, com mais detalhes, no livro "Vida Vitoriosa", do Pr. José de Godoi Filho, págs. 15-27, FatoÉ Publicações Ltda. Curitiba/1998.

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